Como encontrei tempo para escrever Crônicas de Solaria

Uma das perguntas que mais tenho ouvido desde que anunciei o lançamento de Crônicas de Solaria – O Legado de Itzamná é simples: “Como você consegue encontrar tempo para escrever um livro?”

A verdade é que eu também me faço essa pergunta de vez em quando.

Minha rotina é dividida entre comunicação, tecnologia, inovação, projetos sociais, entidades, produção de conteúdo e diversos outros compromissos que fazem parte da minha vida profissional. Ainda assim, há algo que sempre me acompanhou: a necessidade de criar.

Talvez o segredo esteja justamente aí. Escrever nunca foi uma obrigação. Sempre foi uma forma de descansar a mente enquanto exercito a imaginação.

Costumo brincar que consigo encontrar tempo porque raramente assisto televisão. Enquanto muitas pessoas acompanham séries ou programas, eu normalmente estou lendo, pesquisando, escrevendo ou desenvolvendo alguma ideia nova. Não existe fórmula mágica. Existe apenas a decisão diária de dedicar um pouco de tempo àquilo que realmente importa para você.

A ideia de Crônicas de Solaria nasceu em 2011, durante uma troca de histórias com um amigo. Era apenas um exercício de criatividade, sem qualquer pretensão de se transformar em um livro. Mas algumas ideias simplesmente se recusam a ir embora.

Ao longo dos anos, o projeto ficou guardado, voltou para a gaveta, recebeu novas pesquisas e amadureceu junto comigo. Sempre tive fascínio por ficção científica, exploração espacial e pelas culturas pré-colombianas. Em algum momento, tudo isso começou a se conectar e deu origem ao universo de Solaria.

O resultado é uma história que acompanha Diego, um adolescente que, após um misterioso acidente durante a inauguração de um hotel na Lua, acaba transportado para um mundo dividido por elementos, antigas profecias e civilizações ancestrais.

Agora, depois de mais de uma década desde os primeiros rascunhos, o livro ganha vida própria.

Entre os dias 4 e 13 de setembro, Crônicas de Solaria – O Legado de Itzamná estará presente na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no estande dos Autores Independentes do Brasil.

Durante todos os dias da Bienal, os visitantes poderão conhecer a obra e adquirir duas versões do livro: a edição tradicional e uma edição especial estendida em capa dura, produzida especialmente para o evento.

Estarei pessoalmente no estande no dia 13 de setembro, último dia da Bienal, das 14h às 18h, apresentando o projeto, conversando com leitores, autografando exemplares e compartilhando um pouco da jornada que transformou uma ideia criada em 2011 em um livro de verdade.

Se existe uma mensagem que aprendi durante esse processo, talvez seja esta: grandes projetos raramente nascem prontos. Eles começam pequenos, às vezes quase invisíveis, e crescem aos poucos. O importante é não desistir deles antes que tenham a chance de existir.

Nos vemos em Solaria.

O que muda depois de um diagnóstico?

Quando recebi a possibilidade de um diagnóstico de esclerose múltipla, minha primeira reação foi fazer o que muita gente faz: procurar respostas.

Saí do consultório e fui para a internet. Em poucas horas, encontrei relatos difíceis, cenários extremos e um futuro que parecia já estar definido antes mesmo de qualquer confirmação. O problema é que, naquele momento, eu não estava encontrando informação. Eu estava encontrando medo.

Meses depois, quando o diagnóstico foi confirmado, percebi que a doença era apenas uma parte da história.

A esclerose múltipla é uma condição neurológica crônica que afeta milhões de pessoas no mundo e pode se manifestar de formas muito diferentes. Existem tratamentos, acompanhamento médico e avanços importantes que mudaram significativamente a qualidade de vida de quem convive com ela. Mas, para além dos aspectos clínicos, existe uma dimensão que raramente aparece nos exames ou nos consultórios.

Existe o impacto da incerteza.

Existe a sensação de que o tempo passou a funcionar de outra forma.

Existe a dúvida sobre até quando determinadas possibilidades continuarão existindo.

E existe a necessidade de continuar vivendo enquanto tudo isso ainda está sendo compreendido.

Foi justamente sobre isso que escrevi Depois do Diagnóstico.

O livro não nasceu para explicar a esclerose múltipla nem para transformar uma experiência pessoal em fórmula de superação. Ele nasceu da tentativa de registrar o que acontece quando a vida precisa seguir em frente depois que uma notícia muda a forma como enxergamos o futuro.

Ao longo das páginas, falo sobre o diagnóstico, os exames, os medos e o tratamento, mas também sobre trabalho, paternidade, escolhas e sobre uma mudança silenciosa que aconteceu na forma como passei a lidar com o tempo.

Durante muito tempo, vivi como se determinadas coisas pudessem sempre ser deixadas para depois. O diagnóstico não me fez abandonar o futuro, mas me fez entender que ele não é tão garantido quanto costumamos imaginar.

Talvez por isso eu tenha começado a dizer mais “sim”.

Não por impulso ou irresponsabilidade, mas pela percepção de que algumas experiências só existem quando decidimos vivê-las.

Hoje, mais de uma década depois do diagnóstico, continuo convivendo com a esclerose múltipla. O tratamento faz parte da rotina, os cuidados continuam existindo e a incerteza não desapareceu completamente.

Mas a vida também não parou.

E talvez essa seja a principal mensagem que gostaria de compartilhar.

Nem sempre escolhemos o que acontece conosco.

Mas continuamos escolhendo o que fazemos depois.

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Depois do Diagnóstico é o primeiro volume da coleção Fragmentos, da Editora Urbem, um projeto dedicado a histórias reais contadas de forma honesta, sem fórmulas prontas e sem a obrigação de oferecer respostas definitivas.